segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Resenha - Ninfomaníaca, Volume 1


Contra tudo e contra todos consegui assistir o tão polêmico Ninfomaníaca de Lars von Trier. Contra tudo por que não tem muitas salas aqui no Rio passando esse filme, apenas alguns cinemas da Zona Sul e da Barra, nem vou comentar o que acho disso. Contra todos por que foi difícil encontrar uma boa companhia pra ir comigo, mas como namorado tem uma certa cota mensal/anual de idas ao cinema com a namorada, reivindiquei meus direitos e o Branco foi comigo, deixando claro que a maior preguiça dele é ter que ir pra longe só pra ver um filme. No final consegui um "foi bom" dele. Vitória!

Eu, ao contrário, tenho outras opiniões sobre a história de Joe, a ninfomaníaca e a obra de Lars. O primeiro ponto a esclarecer é: Ninfomaníaca, a despeito do nome, não é um filme sobre sexo, não como as pessoas têm pensado, não é um filme pornô, não é um filme vulgar. Ao meu ver é a história de uma mulher em busca de se encontrar, de sentir algo que vai cada vez mais se perdendo dela. O motivo de eu querer ver essa história era justamente saber como seria tratado o assunto, como mostrar tanto de uma pessoa - nem estou falando da nudez - sem parecer cínico, estereotipado, preconceituoso. E eu vi grandes cenas ali. Duas adolescentes competindo pra ver quem consegue fazer sexo com mais homens num trem por um saco de confete de chocolate parece mais uma forma de lidar com o tédio de uma vida sem graça e vemos Joe mostrando que muito cedo já não ligava para os problemas dos outros desde que conseguisse se satisfazer. Acabar com uma família? Não significa nada pra ela também, tudo não passa de uma rotina feita exclusivamente para sanar suas vontades cada vez mais exigentes. Joe não acredita no amor, esse sentimento que nos subjuga, segundo ela, sexo é mais confiável, mas ela também ama, por mais que não queira. Fica pro Volume 2 saber o quanto mais esses sentimentos afetam sua vida.

Entre metáforas, sarcasmo, flashes de outras cenas para ilustrar alguns momentos, humor apurado mesmo nas partes mais dramáticas - o episódio Mrs. H é fantástico, com um diálogo ácido que poderia ser trágico se não fosse cômico, que na verdade é completamente trágico, mas faz a agente rir pelo absurdo de tudo - a Joe mais velha e consciente de sua condição é construída através da Joe mais nova, já sofrida, mas ainda inconsequente. Chega mesmo a surpreender como uma pessoa viciada organiza a própria vida em torno do vício, mas não consegue organizar a mente. Eu achei as cenas tão bonitas, tão cheias de detalhes e iluminação adequada para demonstrar como Joe se sentia que consegui captar muito das emoções e angústias dela. E as partes com sexo não são chocantes, pelo menos não nesse Volume 1, é como estar lá e saber o que vai acontecer, como o sexo é normalmente sem a música brega dos pornôs e sem  os malabarismos hollywoodianos.

Eu consegui perceber a profundidade do tema nesses detalhes, nos diálogos, em tudo. E quando acaba você nem acha que o tempo passou e quer saber logo como isso tudo vai chegar a ser realmente destruidor na vida da personagem. Se bem que pelas cenas do Volume 2 mostradas no final dá pra se ter uma ideia do fundo do poço.

4 comentários:

  1. Eu li dando uns pulinhos com medo de spolier, mas ó: tô doida pra ver! Mas vou ter que esperar sair pra baixar (e só me permito blu-ray). Sentarei e farei cara de Cláudia xD

    Beijos,
    re

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. kkkkkkkkkkkkkkkk

      Vale a pena esperar, eu já estou aguardando a segunda parte.

      Excluir
  2. Oi Mari, adorei a sua resenha, foi a primeira que me fez querer realmente ver o filme. Gosto quando as pessoas conseguem enxergar além do que o grande público vê, como você provavelmente fez. Vou tentar ficar de mente aberta e ver se gosto do filme tanto quanto você. Beijos e valeu a dica. Mi

    www.recantodami.com

    ResponderExcluir

Fale o que achou