terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sobre controle, carros e café


Ontem foi um dia muito legal. Eu senti uma coisa que não sentia há um bom tempo: a sensação de ser bem sucedida em um desafio. Não era pra ser nada de mais, era só a prova prática pra tirar a habilitação, mas como essa prova me deu dor de cabeça...

Essa foi a minha terceira tentativa (já vi gente tentando mais vezes) e eu só tinha essa chance antes de precisar pagar tudo de novo. Das outras vezes eu fiquei tão nervosa que não conseguia pensar direito, juro que nunca me senti assim nem mesmo em situações de perigo. Meu corpo tremia e meu coração batia tão forte que eu não conseguia me concentrar em mais nada. Na segunda vez eu pensei até que fosse passar mal e fazer vergonha. Os meus pensamentos eram "como você pode ser tão ridícula de ficar com medo disso, você tem o conhecimento e a capacidade pra fazer isso!", mas meu corpo não me pertencia.

Ontem finalmente eu dominei essas sensações tão estranhas, minha mente talvez nunca tenha ficado tão focada quanto na hora da prova. Eu era uma motorista confiante (talvez só um pouco mais tensa do que o normal) e tudo correu bem. Quando meu instrutor abriu a porta e perguntou se eu passei, olhei para o examinador e ele disse que sim.  Não sei descrever o que eu senti. Parecia que um longo ano estava concluído, um longo problema, um fardo, tinha sido tirado de mim, aliás, que eu tinha sido capaz de tirá-lo, o que é muito melhor. Eu fiquei às voltas com essa história o ano todo e cheguei a duvidar de que fosse conseguir fazer uma coisa tão simples que um monte de gente consegue todo dia. E nem era por não ter habilidade, era por não conseguir me controlar. Ontem eu me senti no controle, acho que é isso. Mesmo que por um instante, mesmo que somente do meu corpo e da minha mente. Isso é tudo que a gente pode conseguir de controle na vida, afinal.

E eu percebi que eu quero mais momento assim: onde eu consiga me sentir dona de mim.

A partir de semana que vem eu terei a bendita carteira (mesmo sem ter carro, rs) e ela vai ser um lembrete de que eu posso mais do que acho que sou capaz, mesmo que isso seja muito clichê.

E o mais incrível é que eu tenho certeza que só consegui ficar calma porque não tomei café antes da prova, seria essa uma descoberta para abalar minha fé no café?

A comemoração sutil

2 comentários:

  1. Desculpa, pelo comentário , só gostaria de dizer o que eu acho da vida ( Decidir não reclamar mais. Nem falarei mais sobre nada, com ninguém, não importa quem. Não reclamarei dos domingos tediosos, nem da mesmice durante a semana. Também não falarei nada dessa gente chata que vive achando que somente elas tem problemas e que sofrem e que sou obrigada a me desdobrar por elas para elas gostarem de mim. pior ainda as que pensam que podem palpitar em alguma coisa, enfim, também não abrirei minha boca para questionar essa vida sem graça e sem sentido. Mas continuarei achando o mesmo sobre todas essas coisas, mas não darei um piu, tentarei ser invisível e Aguentar firme, esse sim será meu novo foco , e tentar não chorar mais, pois ninguém liga.
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    1. Tentar ser invisível não adianta muito não, sabe. O que você pode fazer é se apropriar da sua vida, tentar viver o melhor possível. Nem todos os dias serão inesquecível, mas a gente pode tentar. Você é nova e é normal se sentir estranha, mas acho que devia procurar alguém pra conversar sobre o que te faz sentir assim, um familiar ou até um profissional mesmo. Com certeza tem alguém que liga, sempre tem.

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