terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Livro: Trilogia Jogos Vorazes


Há alguns anos atrás eu abri uma exceção a minha regra de não assistir filmes adaptados antes de ler os livros. Foi quando lançaram Jogos Vorazes. Gostei muito do filme, mas adiei os livros até agora, às vésperas da estréia de A Esperança parte 1. Não sei o porquê,  me deu uma estranheza de saber que ia ver o final de tudo antes de ler os livros, fiquei meses esperando uma promoção pra comprar tudo junto e consegui. Lá no Instagram eu postei uma foto assim que tirei o box do embrulho e fiquei tão feliz que teve até dancinha, sério, melhor coisa é esperar muito por um livro e finalmente tê-lo em mãos pra cheirar, folhear e ler tudinho de uma vez.
Foi exatamente isso que eu fiz: li tudo, os três livros, em uma semana maravilhosa em que dormi pouco e negligenciei estudos, mas isso já é a minha vida normal mesmo. Estou escrevendo assim que acabei de ler A Esperança - ufa, antes de ver o filme, mesmo sabendo que o final mesmo não vai ser agora  - porque tem tanta coisa que eu queria falar. As pessoas normais fazem resenha de um livro de cada vez, mas eu vou falar sobre tudo junto, apenas separando por tópicos e no final vou mandar os spoilers porque gente, preciso discutir as questões que ficaram na minha cabeça, se não vou ficar maluca.

Jogos Vorazes

Por já ter visto o filme e tentado ler uma tradução porca antes de ter o livro em mãos de verdade, achei que ia me arrastar nesse primeiro livro, aliás, infelizmente não vou conseguir evitar comparar o livro com o filme porque já tinha visto e fiquei muito impressionada, foi bem chocante ver que algumas coisas eram bem diferentes. Ao contrário, me senti bem confortável lendo a narração em primeira pessoa, mesmo não sendo das minhas preferidas - eu sou dessas que gosta de saber o que todo mundo está pensando -, inclusive acho que eles tinham que ter feito alguma coisa assim no filme, é impossível saber tudo que uma pessoa está pensando e sentindo só de olhar.

O choque da primeira parte da trilogia pra mim foi justamente associar esse futuro hipotético com a realidade em que a gente vive, o quanto estamos próximos de chegar a um extremo desses, diariamente a TV se aproveita do sofrimento de outras pessoas pra ganhar dinheiro e milhões se divertem e consomem esse modelo de "entretenimento", sem contar o excesso de reality shows, chega a ser bizarro. E o que eu mais gosto na Katniss é que ela é egoísta. Isso mesmo, eu gosto. Por quê? Ué, porque ela parece uma pessoa de verdade, não uma santa. Ela se voluntaria pros Jogos porque não quer sofrer pela irmã e também é claro porque não quer que a irmã sofra. A Katniss é altruísta apenas na medida certa em que eu consigo enxergar uma pessoa de verdade sendo altruísta, ela tem o pé no chão, mas é adolescente e acha que sabe de tudo.

Achei fantástico como a autora conseguiu imaginar a divisão dos distritos, a função de cada um e destrinchar uma história muito mais complicada do que realmente parece a princípio. Mais uma vez eu consegui sentir medo dessa realidade fictícia por ver ali um sentido, uma coerência, e cá entre nós, se alguém imaginou um romance assim, o que impede que um governo imagine algo semelhante. Mas ok, eu estou exagerando. O fato é que eu fiquei muito sensibilizada com a brutalidade de um governo que obriga seus cidadãos a ceder seus filhos e assisti-los se matando um a um, ano após ano. De maneira nenhuma me senti entediada com a leitura, pelo contrário, fiquei tensa e alerta como se estivesse nos Jogos Vorazes também. Adoro quando o livro é tão bom que me sinto participando. Minha ressalva vai para o "triângulo amoroso" entre a Katniss, o Peeta e o Gale. Será mesmo que era necessário criar esse vai ou não vai entre eles? Eu acho que não. Só porque a personagem principal é feminino, não quer dizer que necessariamente ela tem que achar um par. No final do livro eu já estava torcendo era pra ela ficar com ninguém. Mas eu amo o Peeta.


Em Chamas

Imediatamente após terminar o primeiro livro, comecei a ler a segunda parte. Também já tinha visto o filme, mas logo percebi que o livro seria melhor. Tenho muita dificuldade em entender personagens que não perguntam o que querem saber, deixam as coisas como estão ou deixam pra outra pessoa decidir. Fiquei com raiva da Katniss ficar "oh, será que o Gale gosta de mim? Será que ele ficou com raiva porque eu beijei o Peeta?"... Amiga, pergunta pra ele e acaba logo com isso, que coisinha de adolescente suspirante! Tá, eu sei que ela é adolescente, mas eu esperava mais de alguém que matou e deixou morrer um monte de gente.

Finalmente a história prossegue e eu achei genial - de um modo cruel - a ideia de pegar os vencedores como tributos de novo. Sério, eu não sou muito fã de distopias porque não gosto de ter essa visão tão pessimista da humanidade, apesar dos comentários acima, porém acredito que se existe um meio de fazer as pessoas ficarem quietas é manter o medo presente o tempo todo. O ser humano se adapta a quase tudo, inclusive a uma vida horrível, mas continua vivendo, como um hamster numa roda, dificilmente vemos as pessoas realmente fazendo alguma coisa pra mudar a situação, vide protestos X Eleições. O que eu realmente acho que era perigoso naquele cenário no livro era o efeito dominó, um se levanta e outros seguem o exemplo, por isso os Jogos, pra lembrar que quem se levanta acaba caindo primeiro. Achei bom também a rebelião surgindo aos poucos, ficando por baixo dos panos até que...

Só fiquei com um pé atrás de ter demorado tanto pra chegar na verdadeira ação e ao mesmo tempo gostei disso porque aos poucos ficamos sabendo como foi traumatizante voltar pra casa. Mais um ponto pra Suzanne Collins, por ela não ter feito uma história cheia de felizes para sempre. Sim, as pessoas sobrevivem, mas não sem ficar com as sequelas físicas e psicológicas que são justamente a arma que a Capital tem contra os distritos, há o medo, a desconfiança, as lembranças. Num mundo como o que ela inventou ninguém é realmente inteiro, todos já perderam alguma coisa. Adorei conhecer outros vencedores e como cada um teve sua própria vida roubada e tal, acho até que deveria ter um livro só contando da vida dos outros tributos vencedores, eu leria. Até porque a personalidade de cada um se constrói aos poucos e acho que nenhum deles acabou sendo o que eu achava que seria.
Quanto ao filme, eu achava muito bom, até melhor que o primeiro, mas encafifei com a perna do Peeta, esse detalhe, detalhezinho mesmo, fez a diferença entre um filme mais brutal e um filme pra agradar a audiência. Justamente aquele ponto que eu falei sobre não ser tudo perfeitinho no final, quando tudo se resolve, eles tiraram isso do filme, ficou tudo como devia ser, mas só que não é essa a mensagem que eu tirei do livro.


A Esperança

Como acabei de ler agora, agora, estou super abatida ainda com o final de tudo. Eu me apego mesmo, me apego aos personagens, à história, à rotina de sentar e ler o livro, carregar pra cima e pra baixo, fico me sentindo abandonada quando acaba. O bom foi que li antes do filme, fez uma grande diferença na minha leitura. Eu estava tão apegada que fiquei com medo de acabar, mas li tudo de um dia pro outro.  Conforme ia chegando mais perto do fim fiquei morrendo de medo de não gostar do final, tipo, faltavam umas 30 páginas e nada de chegar o grand finale, o equivalente a batalha de Hogwarts - sorry se meus padrões são Jaykaynianos - da trilogia. Mas aí eu desapeguei porque entendi que esse não era o ponto principal. A Katniss nunca quis uma rebelião, ela só queria salvar as pessoas que ela amava, só que, olha, que sufoco!

Morri de pena dela mil vezes por todos as vezes em que ela se arrebentou toda, acho que o que mais me marcou mesmo foi essa questão das cicatrizes, do tempo que não volta, das coisas que não dá pra mudar, isso é muito poético e muito verdadeiro. E  a natureza do ser humano, sempre querendo sobrepujar outros seres humanos, isso também é real, a espécie mais autodestrutiva que existe somos nós.

As reviravoltas que A Esperança dá me deixaram tonta. Quem está vivo, quem morreu, quem ficou maluco, quem se recuperou, quem é o inimigo? A única constante é o Haymitch. Como eu gosto desse cara. rs

No final das contas eu gostei muito do desfecho, foi do jeito que eu esperava, inclusive, apostei minhas fichas em um dos meninos no tal lenga lenga do triângulo amoroso e ganhei, sabia desde o começo com quem a Katniss ia ficar. E ficou um monte de pensamento aqui voando, indo e voltando, me fazendo pensar. Sempre que eu leio um livro algumas frases ficam gravadas no meu cérebro, isso deve acontecer com todo mundo, mas as que eu guardo nem sempre são aquelas mais impactantes, são frases mais banais que ficam meio perdidas na história. Se eu fosse criminosa de marcar livros, os meus estariam cheios dessas marcações com essas frases aleatórias que eu catei.

Conclusão de tudo: Foi uma ótima série e eu queria ter lido mais devagar pra durar mais. Vou sentir saudade do Peeta, do Buttercup, da Effie, do Haymitch, do Cinna e da Johanna, até um pouco do Finnick.

Bom, a partir daqui vai ter SPOILER, então não leia se não quiser saber. Apenas preciso escrever sobre isso!! Mas se não quiser ler porque o texto está grande demais, não tem problema nenhum. Obrigada pela paciência.

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Então, o que eu queria dizer é que quase morri do coração várias vezes pensando que o Peeta não ia sobreviver, como lidar com a melhor pessoa virando um maluco assassino??? Durante todo o tempo que eu conheço a série evitei muito ler spoiler, apesar de já saber que a Prim ia morrer, mas eu me consumi esperando que do nada ele fosse morrer de algum jeito, ainda bem que saí vitoriosa e o Gale chato foi embora pra sempre. Quer dizer, não é que ele seja chato, mas eu não via um casal ali, se fiquei chateada nas partes que a Katniss beija o Peeta só pra encenar, fiquei foi irritada nas vezes em que ela beijou o Gale porque simplesmente não tinha nada ali, como eu disse, parecia até que era só pra criar a expectativa de uma briguinha entre os dois.

Vamos falar de Finnick Odair. POR QUE Suzanninha matou o Finnick???? A vida é dura, mas eu queria muito ter tido a oportunidade de ler mais sobre ele. Por isso que eu não gosto de narração em primeira pessoa, eu gosto de entender a cabeça dos personagens, de ter a visão deles, não de tentar conhecer alguém pelo que outra pessoa enxerga, ainda mais alguém como a Katniss, que como a maioria dos personagens principais, está muito mais centrada nos seus próprios problemas - que não são poucos - do que em analisar as pessoas ao redor. É tipo assim: você quer me matar? Não? Então sai pra lá. No segundo livro ele está lá sendo alguém incrível e do nada é mencionado casualmente como alguém "mentalmente perturbado" e depois quando ele volta a ação... morreu. Ai coração, se aquieta.

Mas olhando por outro lado, a narração em primeira pessoa também é legal porque é bem sincera, mais realista. Tem uma parte, por exemplo, em que a Katniss menciona que perdeu o momento em que a Prim deixou de ser uma criança assustada e virou uma curandeira e uma pessoa sensível e analítica ao mesmo tempo. Na vida também é assim, é fácil se concentrar nos próprios problemas e perder momentos importantes. Então sempre que você explora um lado, deixa de ter o outro lado, ou ainda, cada escolha é um abandono.

Um minuto de silêncio também pelo Cinna, porque eu só consigo imaginar ele com a cara do Lenny Kravitz e me apeguei. Brinks, toda vez que se menciona ele no terceiro livro eu fico chorosa, gostei dele bastante, mais um que merecia mais linhas no livro.

Se eu fosse ficar analisando cada pontinho ia virar uma crítica literária (mais) mal feita, então vou parar por aqui e não vejo a hora de assistir logo o filme pra finalmente poder dizer "no livro não era assim".


Update: Já assisti o filme, é claro. Esse post foi escrito em Dezembro, mas eu estava com preguiça de tirar foto. Acabou que tirei fotos porcaria só pra tirar ele do rascunho, mas meu amor não diminuiu, tá gente.


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