sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Dica gastronômica: Beco do Hamburguer

Foto: https://www.facebook.com/becodohamburguer

Nessas férias eu pus na cabeça que queria aproveitar meu tempo $$$ pra conhecer novos lugares e fugir do cardápio hambúrguer fast food/podrão-subway-domino's-japa-habib's - eu vivo disso, gente. Graças ao bom Deus, hambúrguer tá na moda, quer dizer, acho que ainda tá - não importa - e faz tempo que surgiram opções muito mais saborosas do que as grandes redes que não me enchem os olhos. Prefiro mil vezes um podrão conhecido do que gastar fortunas nesses lugares.

Aproveitei uma ida ao Centro do Rio pra almoçar no Beco do Hamburguer, uma hamburgueria (daaã...) que fica no Beco dos Barbeiros, pertinho da Saraiva do Ouvidor. Eu já tinha lido a respeito e sabia que as opções eram simples, mas quando cheguei lá e vi a coluna de preço dessas poucas opções quase dei meia volta e fui embora. Olhei pro Branco e perguntei "e aí?" Ele deu de ombros e disse "vou ficar com fome...". Daí eu disse "calma, vai dar tudo certo". E deu. Foi mais ou menos isso.

É o seguinte: lá tem hambúrguer, cheesebúrguer, hambúrguer duplo e cheesebúrguer duplo. E só. Aí você escolhe se quer salada (com cebola roxa, maravilhoso), picles, molho da casa, ketchup e mostarda. Bacon é acompanhamento. Tem batata frita e refrigerante refil. Aí você pensa, como pensamos, que isso deve ser ruim, gente, cadê o tanto de coisa que a gente tá acostumado a pedir? Não precisa de nada disso, gente. O trem é tão bom que o resto é exagero. O Branco pediu um cheesebúrguer duplo com bacon, batata e refri e eu um normal com bacon e batata. A gente já planejando sair de lá e tomar um milkshake pra fechar a refeição, mas aí olhamos pra grelha e vimos o maravilhoso tamanho de hambúrguer e começamos a desconfiar que o negócio era sério. É uma carne linda e bem fresca, dá pra ver. O queijo é caprichado e vem beeeem derretido, uma coisa de emocionar. Bacon sem miséria e pão quentinho e macio - é feito de batata.

A Batata
Eu quero deixar aqui um parágrafo especialmente dedicado a batata frita. É sequinha. É crocante. É temperada. Vem bastante. É incrível. Se você quiser ir lá só pra comer a batata, vai sair satisfeito não só pela quantidade - não é taaaanto assim, mas acredite quando eu digo que se não for com fome não vai aguentar a batata e o hambúrguer -, mas principalmente pelo sabor. Sério. Tô pensando nela com amor agora.

E o hambúrguer?
Vocês acham que eu ia me dar ao trabalho de escrever sobre um hambúrguer ruim? Aquilo lá é maravilhoso. É chocante. Você come e se lembra como a vida é boa. Vem mal passado - não perguntei se dá pra pedir bem porque gosto assim - e é bem temperado. O molho deles é uma delícia, você tá lá naquela explosão de sabores e vem a salada com a cebola roxa e deixa tudo ainda melhor. O meu, sendo o simples, já tive dificuldade de comer, é bem grande. O Branco comeu o dele todo, mas trouxe a batata pra casa, já eu comi a minha todinha e tive que afrouxar a saia depois. ¯\_(ツ)_/¯
Depois de comer fiquei muito pensativa, do jeito que só se fica quando se come bem.

O ambiente 
É bem bonitinho, refrigerado, limpo e confortável. Tem mesinhas e balcões do lado de dentro e mais balcões do lado de fora, achei bem bom e apesar de cheio, não ficamos sufocados, tudo era bem organizado.

O valor
Bom, não me lembro direito, mas acho que o meu ficou por volta de R$23 e o do Branco, R$27. Batata, refri e adicional achei o valor parecido com qualquer fastfood da vida, só que não tem combo. O hambúrguer certamente é mais caro do que o que eu estou acostumada a pagar, mas pela qualidade, está mais do que justo.

Quero voltar lá bem depressa. Beco do Hamburguer, já tô com saudade.

Lá abre pro almoço, viu, gente, afinal é centro. De 11 às 18, segunda a sexta.
Onde: Beco dos Barbeiros, 6A, Centro, Rio de Janeiro

P.S.: Não tirei foto de nada, infelizmente, porque o namorado tem aversão a esse tipo de modernidade - que esquisito tirar foto de comida... - então me perdoem, vão ter que acreditar na minha palavra de honra de que é muito bom. Eu sou exigente, podem acreditar.

domingo, 11 de outubro de 2015

Primeiro fim de semana de férias - muitas reflexões


Vocês vão me perdoar o excesso de autorreflexão aqui, ou vão se identificar, vai ver eu darei pra vocês uma dica que vem no momento certo. O caso é que eu estou de férias. Se você não me viu ansiar e alardear esse momento no Twitter ou no Snapchat (é nana.moura, segue lá), tá sabendo agora. Eu estava a ponto de ter um colapso nervoso, sério mesmo, e implorei por férias tanto no trabalho quanto no estágio. Agora estou aqui em casa pensando em como a vida é esquisita.

Essa rotina minha é bem cansativa, geralmente eu durmo pouco, como muita besteira, esqueço coisas importantes e deixo tantas outras de lado por falta de tempo ou exaustão. Eu negligencio a limpeza da casa, companhia de amigos, momentos de descanso, de estudo e meu projetos futuros. Ainda não sei quanto disso vai me levar a algum lugar, se vai valer a pena. Meu emprego no momento é só pra pagar as contas e o estágio, eu tenho esperança que me abra portas no futuro - lá é legal, mas não contrata. Mas onde eu quero chegar é: mesmo que eu consiga um emprego incrível depois, será que eu vou me arrepender desse tempo que eu investi aqui? Tempo investido tem que ser produtivo, se não, foi só tempo desperdiçado, certo? O que eu tô tendo dificuldade de visualizar é o que realmente é importante e eu estou perdendo, sabe? Minha vida tá parecendo um borrão, quando eu vou ver já se foi outro dia e eu nem vi, não aproveitei, não me senti ali, só fiquei desejando que acabasse logo. Eu não posso desejar que dois anos passem logo impunemente, certo? Uma hora esse tempo vai me fazer falta, tenho certeza. Quantos amigos e familiares eu vou ouvir dizendo que eu estou sumida - embora a maioria não se dê ao trabalho de me procurar na minha própria casa, sejamos sinceros - até desistirem de mim de vez? Quantos passeios perdidos por cansaço até eu me dar conta de que estou me sentindo inculta? Quantas oportunidades de me sentir jovem enquanto ainda sou jovem, sem pensar demais em responsabilidade?

E o mais esquisito é que agora, aqui em casa, eu tenho o dia todo pra mim e eu simplesmente não sei o que fazer com todo esse tempo. Fico andando de um lado pra outro em casa sem saber o que fazer, dedico parte do dia a arrumar as coisas por aqui, fazer limpeza, organizar, preparar comida, mas aí quando acaba eu faço o quê? Poderia passar o dia assistindo filmes e séries? Poderia. Mas eu não tô nessa vibe, ultimamente qualquer filme que eu vejo me faz ficar triste (exceto Matilda, que eu assisti hoje e foi tão bom como sempre), não importa o tema, não importa o gênero, vi o filme, bateu a bad, não entendo.

É isso, eu passo tanto tempo dedicando meu dia às minhas responsabilidades que esqueci como é ficar em casa à toa. Isso sim é esquisito. Mas não tô reclamando porque eu sei que criar hábitos ruins como passar o dia comendo e jogando The Sims é muito fácil e perder esses hábitos  é bem difícil (e nem é tão ruim, só não é minha realidade no momento), é só que dá uma sensação esquisita.
Aliás, ultimamente está tudo meio esquisito, trabalhar demais, trabalhar de menos, meu corpo, minha mente, ficar em casa, sair, conversar com as pessoas, ficar sozinha. Deve ser meu inferno astral. Falando nisso, daqui a apenas três dias eu faço 26, vou ficar mais perto dos 30 do que dos 20 e não vou mentir pra vocês, tá batendo um medão. Eu estou com essa sensação que vem perto dos aniversários e dos fins de ano (no meu caso já vai acumulando tudo porque sou ansiosa e já tô pensando no Natal também) de que não fiz nada de bom, que está tudo errado não minha vida. Se eu contar quantas vezes por dia me dá vontade de bater a porta e largar tudo pra trás...

Eu estou falando isso tudo mais pra refletir mesmo, mas se serve pra você, deixo um conselho: não seja essa pessoa que estou sendo. É bem possível que eu me arrependa de ter vivido tudo dessa forma intensa e desorganizada, então se puder, abra mão de alguma coisa. Não é vergonha nenhuma e eu já fiz isso em outros momentos, provavelmente estou me encaminhando pra isso agora, esse texto já é um indício. Escolha bem, escolha quem vai te ajudar a passar por essa jornada, porque é certo que haverão momentos de correria na vida, nem todo mundo vai te acompanhar neles. Algumas pessoas vão te botar pra cima, te incentivar, outras vão te abandonar porque vão se ofender por vocês estar buscando algo mais pra sua vida. Haverão também aquelas pessoas que vão ficar a margem, não vão fazer diferença nenhuma, acho que essas são as que surpreendem mais, sabe? Porque às vezes essas pessoas são as que você achava importante e acaba percebendo que sem elas sua vida segue igual, às vezes até mais leve. É surpreendente e devastador também. Se dar conta disso pode ser uma coisa grande e você tem que decidir se precisa mesmo de pessoas assim porque na vida a gente abre espaço pra novidade se desapegando do que não faz mais falta. Assim como não é bom ser um peso morto, também não é bom carregar um peso morto. Então escolha suas prioridades com sabedoria. Não escute ninguém - é isso mesmo - porque ninguém conhece você como você mesmo. Siga seu coração aqui e agora, não deixe pra daqui a alguns meses, essa é sua vida, aproveita!

P.S.: Terminei esse texto e saí pra me divertir. A vida é curta, mores.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Me chamaram de gorda

 Antes de mais nada, resolvi ilustrar esse post só com gifs do Michael Scott porque sim. Agora vamos ao assunto.

Um cara no trabalho fez isso, disse que estou gorda. Assim, sem mais nem menos "você engordou, hein, Mariana". Não é meu amigo, nem meu médico, nem alguém que algum dia tenha se preocupado com meu bem estar físico ou mental. É só mais um exemplo do tipo de homem com que nós, mulheres, temos que lidar diariamente.


Talvez você esteja se perguntando o que eu respondi. Eu conto. Embora ele não merecesse uma resposta, eu dei a ele o benefício da dúvida e a oportunidade de desdizer a ofensa velada. Perguntei mais de uma vez o que ele tinha falado, que não tinha ouvido direito,  e ele com risinho de deboche e olho de peixe morto repetiu tudo, então só me restou responder que o corpo é meu e o que eu como e cago é problema meu, obrigada.


Resposta infantil? Com certeza. Mal educada? Sim. Mas não me arrependo. Porque nada justifica que no meio de um monte de gente um cara solte uma observação maldosa assim só pra ser engraçadinho. É claro que não foi a primeira vez que ele disse coisas assim, é uma pessoa que meu santo não bate mesmo, sempre respiro fundo e saio andando, ignoro. Mas nesse dia, não sei, não quis me calar. Não acho que eu devia. Pode ser que ele estivesse refletindo os próprios problemas em mim, pode ser que alguém tenha ensinado a ele que pode fazer isso, mas isso é problema dele, não meu. Ninguém vai me desvalorizar por causa do meu peso, não vai ficar sem resposta.
Existem mesmo homens assim: que mexem com a autoestima das mulheres só pra se divertir, ou porque acham que assim vão conquistar alguma coisa, por puro despeito ou só pra se autoafirmar. Se a gente se ofende "era só uma brincadeira" ou somos esquentadinhas.

Agora vejam bem, eu estou há dois meses, acho que mais, em um tratamento contra uma uveíte maldita que não quer ir embora, tomando corticoide e pingando colírio todo dia no olho. Junte-se a isso minha jornada dupla estágio-trabalho, mais a semana de provas da faculdade. Eu sem dormir direito há dias e extremamente ansiosa com tudo, inclusive sim, comendo um monte de besteira. E vem um babaca desse fazer graça com minha cara. Poderia ser qualquer outra ofensa, mas ele escolheu essa e acertou em cheio. Até quando as pessoas vão achar que tem o direito de opinar sobre a vida dos outros sem permissão? Um grande desafio pra mim é conviver com gente assim, juro pra vocês que tem dia que é muito difícil sair de casa sabendo que vou lidar com elas.

Demorei a falar sobre isso, mas queria contar aqui no blog. Não sei fazer discurso pra aumentar auto-estima, Deus sabe como eu ainda tenho que trabalhar a minha, mas se tem uma coisa que tem que ser dita é que ninguém tem nada a ver com meu peso, com minhas roupas, com o que eu vejo, escuto, faço, penso, isso é tudo meu e de mais ninguém. Vamos ter um filtro aí, minha gente. A humanidade agradece.

Quanto ao intrometido do trabalho, foi promovido e foi pra bem longe de mim, ainda bem. Menos um pra perturbar meu juízo.


Sobre lidar com sua auto-imagem, se livrar de gente sem noção, ser mulher no século 21 e outros assuntos incríveis e bem escritos, recomendo o Lugar de Mulher pra quem ainda não conhece. Melhores textos.