domingo, 11 de outubro de 2015

Primeiro fim de semana de férias - muitas reflexões


Vocês vão me perdoar o excesso de autorreflexão aqui, ou vão se identificar, vai ver eu darei pra vocês uma dica que vem no momento certo. O caso é que eu estou de férias. Se você não me viu ansiar e alardear esse momento no Twitter ou no Snapchat (é nana.moura, segue lá), tá sabendo agora. Eu estava a ponto de ter um colapso nervoso, sério mesmo, e implorei por férias tanto no trabalho quanto no estágio. Agora estou aqui em casa pensando em como a vida é esquisita.

Essa rotina minha é bem cansativa, geralmente eu durmo pouco, como muita besteira, esqueço coisas importantes e deixo tantas outras de lado por falta de tempo ou exaustão. Eu negligencio a limpeza da casa, companhia de amigos, momentos de descanso, de estudo e meu projetos futuros. Ainda não sei quanto disso vai me levar a algum lugar, se vai valer a pena. Meu emprego no momento é só pra pagar as contas e o estágio, eu tenho esperança que me abra portas no futuro - lá é legal, mas não contrata. Mas onde eu quero chegar é: mesmo que eu consiga um emprego incrível depois, será que eu vou me arrepender desse tempo que eu investi aqui? Tempo investido tem que ser produtivo, se não, foi só tempo desperdiçado, certo? O que eu tô tendo dificuldade de visualizar é o que realmente é importante e eu estou perdendo, sabe? Minha vida tá parecendo um borrão, quando eu vou ver já se foi outro dia e eu nem vi, não aproveitei, não me senti ali, só fiquei desejando que acabasse logo. Eu não posso desejar que dois anos passem logo impunemente, certo? Uma hora esse tempo vai me fazer falta, tenho certeza. Quantos amigos e familiares eu vou ouvir dizendo que eu estou sumida - embora a maioria não se dê ao trabalho de me procurar na minha própria casa, sejamos sinceros - até desistirem de mim de vez? Quantos passeios perdidos por cansaço até eu me dar conta de que estou me sentindo inculta? Quantas oportunidades de me sentir jovem enquanto ainda sou jovem, sem pensar demais em responsabilidade?

E o mais esquisito é que agora, aqui em casa, eu tenho o dia todo pra mim e eu simplesmente não sei o que fazer com todo esse tempo. Fico andando de um lado pra outro em casa sem saber o que fazer, dedico parte do dia a arrumar as coisas por aqui, fazer limpeza, organizar, preparar comida, mas aí quando acaba eu faço o quê? Poderia passar o dia assistindo filmes e séries? Poderia. Mas eu não tô nessa vibe, ultimamente qualquer filme que eu vejo me faz ficar triste (exceto Matilda, que eu assisti hoje e foi tão bom como sempre), não importa o tema, não importa o gênero, vi o filme, bateu a bad, não entendo.

É isso, eu passo tanto tempo dedicando meu dia às minhas responsabilidades que esqueci como é ficar em casa à toa. Isso sim é esquisito. Mas não tô reclamando porque eu sei que criar hábitos ruins como passar o dia comendo e jogando The Sims é muito fácil e perder esses hábitos  é bem difícil (e nem é tão ruim, só não é minha realidade no momento), é só que dá uma sensação esquisita.
Aliás, ultimamente está tudo meio esquisito, trabalhar demais, trabalhar de menos, meu corpo, minha mente, ficar em casa, sair, conversar com as pessoas, ficar sozinha. Deve ser meu inferno astral. Falando nisso, daqui a apenas três dias eu faço 26, vou ficar mais perto dos 30 do que dos 20 e não vou mentir pra vocês, tá batendo um medão. Eu estou com essa sensação que vem perto dos aniversários e dos fins de ano (no meu caso já vai acumulando tudo porque sou ansiosa e já tô pensando no Natal também) de que não fiz nada de bom, que está tudo errado não minha vida. Se eu contar quantas vezes por dia me dá vontade de bater a porta e largar tudo pra trás...

Eu estou falando isso tudo mais pra refletir mesmo, mas se serve pra você, deixo um conselho: não seja essa pessoa que estou sendo. É bem possível que eu me arrependa de ter vivido tudo dessa forma intensa e desorganizada, então se puder, abra mão de alguma coisa. Não é vergonha nenhuma e eu já fiz isso em outros momentos, provavelmente estou me encaminhando pra isso agora, esse texto já é um indício. Escolha bem, escolha quem vai te ajudar a passar por essa jornada, porque é certo que haverão momentos de correria na vida, nem todo mundo vai te acompanhar neles. Algumas pessoas vão te botar pra cima, te incentivar, outras vão te abandonar porque vão se ofender por vocês estar buscando algo mais pra sua vida. Haverão também aquelas pessoas que vão ficar a margem, não vão fazer diferença nenhuma, acho que essas são as que surpreendem mais, sabe? Porque às vezes essas pessoas são as que você achava importante e acaba percebendo que sem elas sua vida segue igual, às vezes até mais leve. É surpreendente e devastador também. Se dar conta disso pode ser uma coisa grande e você tem que decidir se precisa mesmo de pessoas assim porque na vida a gente abre espaço pra novidade se desapegando do que não faz mais falta. Assim como não é bom ser um peso morto, também não é bom carregar um peso morto. Então escolha suas prioridades com sabedoria. Não escute ninguém - é isso mesmo - porque ninguém conhece você como você mesmo. Siga seu coração aqui e agora, não deixe pra daqui a alguns meses, essa é sua vida, aproveita!

P.S.: Terminei esse texto e saí pra me divertir. A vida é curta, mores.

7 comentários:

  1. "Não escute ninguém - é isso mesmo - porque ninguém conhece você como você mesmo" isso é mais pura verdade. É lógico que conselhos de amigos e algumas pessoas podem te ajudar, mas só nosso coração mesmo pra definir o que vai ser. E sobre inferno astral: tá teno aqui também. E muito.

    Espero que essa rotina leve sim, até onde você quer. Nem que seja para algo inesperado.
    bêjo,
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    1. Obrigada, Rê. Esse negócio de inferno astral é uma coisa incrível, né? Energia em movimento e tal... fico boba.

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  2. Sua reflexão me fez lembrar do tempo que fiquei 3 anos em uma empresa só para pagar contas, mas não sentia prazer nenhum no que eu fazia. E não era só a função não, eram as pessoas, o ambiente TUDO! Fui carregando até que não aguentei mais e desabei em choro, Sai de lá, mesmo insegura porque havia perdido um emprego de 3 anos, mas me senti melhor.

    Abrir mão ás vezes é um mal necessário =/
    www.saidaminhalente.com

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    1. Acredite, isso já meio que aconteceu comigo antes. Eu sou recorrente no erro.

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  3. Acho que você descreveu mais eu do que você mesmo. Eu ando nessa vibe de tentar aproveitar minha própria companhia e o meu tempo, mas às vezes também me sinto perdido e sem saber o que fazer. Sorte fé!

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    1. Acho que hoje em dia as pessoas acham esquisito, no mínimo, não fazer nada ou gostar de estar só. Inclusive eu. Espero que consigamos, certo?

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