quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Moon is High

Escrevi esse texto acho que já tem mais de um ano depois de ver Nashville (viciada!) e ficar ouvindo a trilha sonora. Foi escrito baseado na música Moon is High, que eu acho uma das melhores da série. Nunca publiquei por fiquei meio com vergonha, mas ouvi ela hoje e me deu vontade de publicar. Escutem, leiam e não riam de mim.



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foto: poolski / everystockphoto.com
Eu o via todos os dias no mesmo lugar no começo da noite. E lá estava ela também, uma sombra, um estorvo. A ideia de saber que em alguns minutos os dois subiriam as escadas do sobrado e a noite seria toda deles enquanto eu ficava parada aqui em baixo, esperando... Esperando minha chance.

Toda noite era assim: os dois chegavam juntos e sentavam no banco enquanto eu observava da loja em que trabalhava. Ele é simplesmente perfeito, gentil, engraçado e atencioso, a cada encontro nosso eu o sentia me olhar desejoso, mas sabia que ele não cederia, simplesmente pelo tipo de homem que era. Mas ao mesmo tempo não podia evitar me olhar por cima do ombro dela de vez em quando enquanto conversavam. Podia ser eu.

Eu ardia por dentro em pensar sobre os beijos dele, seu corpo contra o meu. Sentia meu corpo quente ao saber que em meu lugar estava outra, usurpando meus beijos, meu abraços e as noites em claro que eu passaria com ele. Enquanto penso mais uma vez nisso ele me olha e o olhar é lascivo, seus olhos brilham. Será que um dia ele vai se cansar dela e se concentrar só em mim?

Nesta noite particularmente eu me sinto perversa, a lua está brilhante e cheia, bem alta no céu limpo. Queria subir furtiva para o sobrado, mas ela estará lá. Meu desejo me sufoca. Não nessa noite, mas quem sabe um dia.

Queria eu que fôssemos inconsequentes, botando em palavras a ternura que os olhares prometem, sem pensar nos corações partidos e explicações. Embora a ternura vá se transformar rapidamente em fogo, queimando minhas veias e deixando meu coração disparado, pulsando junto ao seu.

Os dois subiram e eu fico aqui esperando. Talvez hoje eu seja ela, talvez eu o sinta. Apesar da distância eu sinto seus pensamentos em mim. As luzes se apagam, apenas um abajur deixa o quarto a meia luz. Estou esperando por ele ainda. Sinto meu corpo inteiro pulsar, só pela expectativa de um último olhar. A lua me faz companhia, me sinto tão alta quanto ela, meu espírito voando longe, meu corpo pesado como chumbo.

Me sinto tonta com a ansiedade, esperarei a noite toda. Como um diabo, ele me tenta, eu o tento na mesma medida. Em uma dessas noites ele veio me falar. Não sei se era sonho. Me implorou para amá-lo, ai como eu queria. Sussurou no meu ouvido. E agora ao me lembrar, sei que no meu sonho a chuva caía, tanto lá quanto nas janelas do meu quarto.

Um movimento silencioso e ele aparece na sacada. O cabelo bagunçado e ar de quem fez travessuras. Seu olhar me procura e eu dou um passo a frente, saindo da sombra da árvore que me ocultava. Ele abre um sorriso meio de lado, percebo que ele queria que eu esperasse. Sua boca forma uma palavra. Oi. Mas quando eu penso em responder, o meu pedaço de remorso também chega para me levar para casa.

Não vai ser hoje. Mas um dia serei eu a subir as escadas do sobrado. E a lua é minha testemunha, do meu desejo e do meu amor. Ao ir embora olho para trás por um instante. Ele me acena um adeus com a cabeça, tão sutil que somente eu poderia perceber.
Quando a lua estiver alta e cheia de novo. Quem sabe ali. Perversa e sorrateira, para nos juntar.

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