sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A academia, o carnaval e o ano do sim

Hoje a professora de spinning perguntou pra gente o que a gente vê quando olha no espelho, sim, agora eu sou (ou estou) essa pessoa que vai pra academia todo dia, enquanto me fizer bem, irei. Mas essa pergunta dela me deixou com uma pulga pra dedetizar da orelha. Claramente ela estava falando do nosso corpo, se gostamos do que vemos, queria nos motivar dizendo que se não gostamos do que vemos, então temos que trabalhar duro pra mudar.

Bom, esse tipo de "incentivo" já não funciona mais comigo, o trabalho de reprogramar o que eu acho bonito e o que eu acho importante o suficiente pra trabalhar duro não inclui um corpo de musa fitness. Eu não quero ser super magra e me martirizar toda vez que comer alguma coisa "errada". Tem uma menina que sigo no Twitter que sempre fala que precisa emagrecer, está gorda pro carnaval, pra praia, pros boys. Ela fala de gordice e realmente se sente mal quando come muito ou quando desiste da academia. Eu tenho vontade de dizer pra ela que ela não precisa falar assim, não precisa se julgar assim, mas fico quieta porque sou grossa e provavelmente iria falar algo com um tom errado e não ia ajudar em nada. E também não falo nada porque ainda acontece de eu pensar mal de mim por comer besteira, eu como mesmo, é pra isso que faço academia.

Mas não era isso que eu queria falar. A questão é que quando a professora me perguntou o que eu via no espelho eu não me encaixava no grupo que ela queria atingir porque ultimamente tenho me sentido muito orgulhosa de mim. Não com meu corpo propriamente, mas também. Desinchei finalmente daquele remédio que tomei há mais de um ano atrás, me movimento todo dia e o meu corpo começa a mostrar sinais de que estou fazendo a coisa certa. Então estou orgulhosa de manter meu ritmo cardíaco bom, de cuidar melhor do que como, da força de vontade de me comprometer com aquele ambiente todo dia e não faltar (para mim, isso é uma realização e tanto, tenho tendência a abandonar as coisas).

Fazendo uma análise do meu último ano eu não estava orgulhosa de mim, eu praticamente tinha desistido de mim, estava no piloto automático e minha recompensa foi um ano perdido. Por isso, sim, estou orgulhosa: por ter conseguido nas últimas semanas manter uma rotina relativamente estável, cumprir minhas tarefas, resolver meus problemas, fazer pequenos planos, postar vídeos no canal, ler os livros que queria ler, escrever o que eu pretendo que seja meu primeiro livro (projeto antigo que eu sempre abandono), ir todos os dias para a academia. Fazer essas coisas me faz ter vontade de olhar pro espelho e sorrir, não tenho mais vergonha do meu próprio olhar decepcionado e isso é tão, mas tão importante. Agora quando eu olho no espelho eu me analiso e gosto do que vejo. Nos olhos. E também no corpo. Não ando mais arqueada. Alguns dirão que a postura vem dos exercícios. Pode ser, mas eu prefiro acreditar que venha da confiança que eu tenho tido em mim, de que sou capaz de realizar.

Ainda sim quase todo dia sinto que as coisas estão fora do lugar, só que agora eu sei que estou fazendo algo a respeito. Estou trabalhando para melhorar o que aconteceu de ruim, pra consertar escolhas erradas, para analisar o que eu ainda quero e o que não faz mais falta. A gente muda, os planos mudam, é preciso se adaptar.

Hoje mesmo estava irritada com minha irritação, fiz uma nota mental (que vou passar pra agenda) pra lembrar de encontrar motivos para me alegrar. Eu tenho tendência a ver o pior de tudo, mas não gosto e não quero ser assim. Por exemplo, não gosto de carnaval, do calor, dos homens sem noção, da cerveja quente e do transporte cheio, mas queria sair com minhas amigas, então fui e o dia foi muito divertido, mas veja bem, até o último minuto antes de sair de casa queria desistir ou que todo mundo furasse. Dancei músicas que não sou fã, mas que conheço da academia (ó como é útil esse negócio de spinning) e fizemos coreografias toscas, experimentei skol beats (é ruim, mas valeu a experiência), ri mais do que em todos os outros dias do mês, saí de casa (home office é cruel...), usei glitter na cara (recomendo) e no final o saldo foi mais que positivo, a parte negativa foi totalmente anulada. É esse tipo de decisão que quero pra mim daqui pra frente. Dói pedalar com carga? Um pouco, mas fico energizada depois. Passo o dia no computador? Sim, mas estou fazendo algo que desejei por muito tempo. Sair dá preguiça? Dá, mas a gente esquece assim que chega lá.

Outra coisa que eu faço é antecipar as coisas, imaginar que vai ser horrível até que eu faço e nem é. Na maioria das vezes. Muitas vezes é até muito bom, mas eu estava com muito medo. Tem aquele ditado, né, a gente só sabe como vai ser quando já está lá. Mentira, ouvi isso em um vídeo da Liliane Prata, escritora que admiro muito.

Depois que eu li O Ano em que Disse Sim, da Shonda Rhimes, fiquei ainda mais inspirada com essa coisa de se dar o direito de experimentar, nesse dia que eu queria desistir de sair, pensei "lembra da Shonda, lembra de dizer sim". Parece besta, mas se você me conhece, sabe que eu sou o tipo de pessoa que primeiro recusa um convite, uma ajuda, um conselho pra só depois considerar ou aceita e depois desiste, o quanto isso já me prejudicou na vida eu nem quero começar a contabilizar. Não estou dizendo que vou dizer sim pra tudo, eu sou de lua, mas nesse momento está me fazendo um bem ser mais desapegada do orgulho, do autocontrole.

Só sei que tenho me concentrado em controlar pequenas coisas na esperança de que as grandes venham chegando atraídas pela energia, sei lá. Vamos vendo como é e esperando que seja bom.

Então vamos?